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Como garantir a ergonomia no home office e no trabalho híbrido

Ergonomia no home office e no trabalho híbrido: entenda as responsabilidades legais, os riscos e as medidas para proteger sua equipe.

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Título 'Ergonomia no home office e trabalho híbrido' em letras brancas sobre fundo azul escuro com detalhes geométricos.

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No home office, a ergonomia não termina quando o colaborador sai da unidade. Entenda como empresa, liderança e trabalhador dividem responsabilidades para prevenir dores, afastamentos e perda de produtividade.

Resposta rápida

A empresa continua responsável por orientar, treinar e gerenciar os riscos ergonômicos no home office e no trabalho híbrido. O contrato deve definir equipamentos, infraestrutura e custeio, enquanto a organização precisa incluir o trabalho remoto no gerenciamento de riscos e agir quando a avaliação indicar necessidade de adaptação. O trabalhador também deve seguir as orientações, informar desconfortos e manter condições adequadas de uso. Na prática, a prevenção combina avaliação ergonômica, ajustes do posto, pausas, acompanhamento de queixas e indicadores de saúde musculoesquelética.

Resumo

  • A ergonomia remota é responsabilidade compartilhada, mas a empresa deve estruturar orientação, prevenção e acompanhamento.
  • A CLT exige instrução expressa sobre precauções contra doenças e acidentes no teletrabalho.
  • Contrato, avaliação ergonômica e gerenciamento de riscos precisam considerar as condições reais da residência ou de outro local remoto.
  • Cadeira, monitor, iluminação e pausas reduzem exposição, mas não substituem diagnóstico e monitoramento.
  • No modelo híbrido, a empresa precisa cuidar da continuidade ergonômica entre o posto corporativo e o remoto.
Mesa de escritório com monitor, teclado e mouse organizados, ao lado de uma planta e uma xícara de café.

O que é ergonomia no home office e no trabalho híbrido?

Ergonomia no home office e no trabalho híbrido é a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas das pessoas, com foco em conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente. Isso envolve o posto, os equipamentos, a organização das tarefas, as pausas, a comunicação e o acompanhamento das queixas.

A ergonomia remota não se resume a escolher uma cadeira ou enviar um suporte para notebook. O trabalho acontece dentro de uma combinação de fatores: altura da mesa, tela, teclado, iluminação, tempo em postura estática, volume de reuniões, autonomia, pressão por produtividade e possibilidade real de interromper a atividade para recuperar o corpo.

A NR-17 define ergonomia como a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, para proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente. Essa definição é especialmente importante quando a empresa não controla fisicamente o ambiente residencial. Mesmo assim, ela pode controlar processos, orientar condutas, avaliar situações de trabalho e acompanhar sinais de risco.

No home office, a pessoa costuma improvisar. Uma mesa de jantar pode virar estação permanente, o computador pode ficar baixo demais e o sofá pode parecer confortável no início, mas favorecer flexão prolongada do pescoço e apoio inadequado dos braços. No trabalho híbrido, surge outro desafio: o corpo alterna entre dois postos com características diferentes, sem que a empresa saiba se os ajustes recomendados existem em ambos.

Por isso, a responsabilidade não deve ser tratada como uma transferência simples para o empregado. A empresa precisa criar condições para que a orientação seja aplicável, ouvir quem executa o trabalho e tratar a ergonomia como parte da gestão da saúde musculoesquelética. O colaborador, por sua vez, precisa usar corretamente os recursos, seguir as instruções e comunicar dores, formigamentos, cansaço visual ou dificuldade de adaptação.

Na visão da SEFIT, a prevenção funciona melhor quando começa por um diagnóstico das tarefas e das condições reais de trabalho, passa por recomendações práticas e termina com monitoramento. AEP, AET, orientações posturais, treinamentos e indicadores podem ser combinados conforme o risco e a estrutura da empresa. O objetivo não é criar uma fotografia do posto, mas reduzir exposição e evitar que um desconforto recorrente evolua para afastamento ou presenteísmo.

Documento com selo oficial e carimbo, simbolizando obrigações legais de uma empresa.

Quais são as obrigações legais da empresa?

As obrigações da empresa envolvem formalizar o teletrabalho, definir responsabilidades por equipamentos e infraestrutura, instruir expressamente os empregados sobre prevenção e integrar os riscos ergonômicos ao gerenciamento de riscos ocupacionais. A aplicação deve considerar a atividade efetivamente realizada, não apenas o endereço do trabalhador.

Formalização contratual do teletrabalho

O teletrabalho precisa estar descrito de forma clara, especialmente quando houver alternância entre casa, unidade corporativa e outros locais autorizados. O contrato ou aditivo deve estabelecer o regime, a forma de controle e as condições relevantes para a execução das atividades. Quanto mais genérica for a formalização, maior a dificuldade de provar que a empresa definiu responsabilidades e orientou o trabalho de maneira consistente.

A formalização também deve conversar com a realidade operacional. Uma indústria com áreas administrativas, uma operação logística com equipes distribuídas e uma empresa com várias unidades podem ter diferentes perfis de exposição. A política precisa dizer como ocorre a avaliação, quem recebe suporte, como são registradas as queixas e como o trabalhador solicita ajuste ou orientação.

A existência de contrato não elimina a necessidade de gestão. Documento assinado sem treinamento, acompanhamento e ação corretiva não demonstra uma prevenção efetiva. O RH, o SESMT e as lideranças devem manter um fluxo para identificar mudanças de atividade, retorno ao trabalho, agravamento de sintomas e transferência entre postos.

Fornecimento de equipamentos e ajuda de custo

A CLT prevê que as disposições relativas a equipamentos tecnológicos, infraestrutura necessária e reembolso de despesas sejam definidas em contrato escrito. O artigo 75-D é relevante porque exige clareza sobre o custeio entre empregado e empregador, evitando que a empresa deixe uma condição essencial da prestação de trabalho sem definição.

Na prática, a política deve explicar quais recursos são fornecidos, como ocorre a manutenção, qual canal atende problemas e como são tratadas situações em que o posto doméstico não oferece condição mínima. O tema não se limita ao computador. Tela, teclado, mouse, apoio para os pés e mobiliário podem ser considerados conforme a análise da tarefa e a necessidade identificada.

Uma compra isolada não resolve um risco que também nasce da organização. Se a pessoa permanece em reuniões sucessivas, trabalha além do horário ou não consegue fazer pausas, o equipamento pode reduzir parte da sobrecarga, mas não elimina a causa. A decisão deve partir da exposição observada e de critérios técnicos, com registro do plano de ação.

Instrução e treinamento sobre ergonomia

No teletrabalho, a CLT obriga o empregador a instruir expressamente os empregados sobre as precauções para evitar doenças e acidentes de trabalho. O artigo 75-E não deve ser interpretado como um aviso genérico enviado por e-mail. A orientação precisa ser compreensível, aplicável ao posto e acompanhada de espaço para perguntas.

Um treinamento útil mostra como ajustar a cadeira, posicionar a tela, organizar teclado e mouse, alternar posturas, fazer pausas e reconhecer sinais de alerta. Também explica como comunicar dor, dormência, perda de força, fadiga visual ou piora de sintomas sem medo de estigmatização. Para gestores, o conteúdo deve incluir como cobrar entregas sem incentivar permanência contínua diante da tela.

O TST orienta a difusão de conhecimentos sobre saúde e ergonomia por cursos, oficinas, palestras e outros meios. A empresa pode combinar educação inicial com reforços periódicos, orientação individual e ações de blitz postural. O formato importa menos que a capacidade de transformar a informação em comportamento observado e sustentado.

Inclusão no gerenciamento de riscos

O trabalho remoto precisa aparecer no gerenciamento de riscos ocupacionais com a mesma seriedade dedicada aos postos presenciais. A organização deve mapear tarefas, duração da exposição, exigências físicas e cognitivas, autonomia, pausas, metas, reuniões e mudanças de rotina. Quando a situação exigir adaptação ergonômica, a NR-17 prevê a realização de Avaliação Ergonômica Preliminar.

A AEP pode organizar uma triagem ampla, identificar padrões de desconforto e orientar ações preventivas. Quando a complexidade ou a gravidade do cenário exigir investigação mais aprofundada, a empresa pode precisar de uma análise detalhada do trabalho, observando a atividade real e não apenas o relato formal da função. Em equipes espalhadas, questionários, entrevistas, registros de atendimento e avaliações remotas ajudam a encontrar tendências, mas não substituem julgamento técnico.

O resultado deve alimentar um plano de ação com responsáveis, prioridade, prazo interno e indicador de acompanhamento. Entre os indicadores úteis estão prevalência de queixas, afastamentos musculoesqueléticos, absenteísmo, presenteísmo, adesão a treinamentos, solicitações de ajuste e resolução das recomendações. Assim, RH, SESMT e diretoria conseguem demonstrar não apenas que houve uma orientação, mas que a organização identificou riscos e respondeu a eles.

Cadeira de escritório ajustável com suporte lombar e apoio de braços, em frente a uma mesa.

Quais são as medidas ergonômicas para o home office?

As principais medidas ergonômicas no home office são ajustar o posto à pessoa, manter a tela em posição adequada, controlar reflexos e luminosidade e inserir pausas na organização do trabalho. A empresa deve ensinar esses cuidados e criar meios para verificar se eles são possíveis no ambiente remoto.

Ajuste da cadeira e mesa

A cadeira deve permitir apoio estável dos pés, sustentação das costas e liberdade para mudar de postura. A altura da mesa precisa favorecer braços próximos ao corpo, ombros relaxados e punhos sem desvio acentuado. Segundo recomendação divulgada pela RPC/Globo, joelhos, tornozelos e quadris devem ficar aproximadamente em 90 graus, com alinhamento entre cotovelo e pulso para reduzir sobrecarga.

Quando a mesa é alta, elevar a cadeira pode deixar os pés sem apoio. Quando a cadeira é baixa, a pessoa tende a elevar os ombros ou flexionar excessivamente os punhos. Um apoio para os pés ou um teclado separado pode ajudar, desde que a solução seja orientada para a tarefa e conferida com a pessoa. O notebook não deve obrigar o trabalhador a escolher entre enxergar a tela e manter o pescoço neutro.

A avaliação também deve observar o modo de trabalhar. Quem alterna digitação, leitura, atendimento telefônico e reuniões tem necessidades diferentes de quem permanece em produção de texto. A recomendação precisa considerar a rotina completa, porque um ajuste confortável para uma atividade pode ser inadequado para outra.

Posicionamento do monitor

O monitor deve ficar à frente do trabalhador, evitando torções frequentes do pescoço. A parte superior da tela deve ficar na altura dos olhos. A RPC/Globo recomenda manter pelo menos 50 cm entre o monitor e o rosto, uma referência prática para reduzir aproximação excessiva e esforço visual.

Com notebook, o ideal é avaliar o uso de tela externa ou de teclado e mouse separados quando a jornada exigir leitura e digitação prolongadas. O objetivo é elevar a tela sem obrigar os braços a uma posição desconfortável. Também convém posicionar os elementos mais usados na zona de alcance fácil, reduzindo movimentos repetidos e desvios do tronco.

A empresa deve ensinar a pessoa a testar o ajuste durante a atividade real. Uma fotografia do posto pode ajudar na triagem, mas a conversa revela se o monitor reflete, se há dificuldade para ler, se a pessoa precisa inclinar a cabeça para participar de reuniões ou se o equipamento muda de lugar ao longo do dia.

Iluminação adequada

A iluminação deve permitir leitura sem reflexo direto na tela e sem contraste excessivo entre monitor e ambiente. A Unilab orienta priorizar luz natural, evitando que ela incida diretamente no monitor, e indica posicionar a mesa perpendicular à janela para reduzir desconforto visual.

Sentar de costas para a janela pode produzir reflexos e levar a pessoa a aumentar o brilho da tela. Sentar de frente para uma fonte intensa pode causar ofuscamento. Cortina, ajuste da posição da mesa e iluminação complementar podem resolver parte do problema, mas a solução precisa preservar a leitura de documentos e a circulação segura no ambiente.

Fadiga ocular, ardor, visão embaçada e dor de cabeça devem ser tratados como sinais para investigar o posto e a organização do trabalho. A questão não é apenas iluminação adequada, mas também tempo contínuo de foco, tamanho das fontes, alternância de tarefas e pausas visuais.

Importância das pausas

Pausa ergonômica não é tempo perdido. É uma medida de recuperação que ajuda a interromper a postura estática, variar movimentos, descansar a visão e perceber sinais de desconforto antes que se acumulem. A Unilab orienta pausas de 5 a 10 minutos a cada 60 a 90 minutos de trabalho. O IFAL também recomenda pausas de cinco a dez minutos para cada hora trabalhada, enquanto a Fiocruz orienta pausas a cada 50 minutos.

Essas referências não devem ser transformadas em um ritual mecânico desconectado da atividade. A empresa precisa avaliar o tipo de tarefa, o ritmo, as reuniões e a possibilidade de autonomia. Uma pausa pode incluir levantar-se, caminhar, mudar o foco visual, alongar-se suavemente ou executar outra tarefa que não repita a mesma exigência. O importante é não ocupar o intervalo com mais tela e mais cobrança.

Gestores têm papel decisivo. Se a liderança marca reuniões consecutivas, elogia quem nunca se ausenta da tela ou mede disponibilidade pelo status online, a política de pausas perde credibilidade. O planejamento deve reservar espaços de recuperação e avaliar produtividade por entregas e qualidade, não por permanência contínua sentado.

Pessoa sentada em uma mesa com má postura, demonstrando desconforto e dor nas costas.

Quais são os riscos mais comuns no trabalho remoto?

Os riscos mais comuns no trabalho remoto estão ligados à permanência prolongada em posturas inadequadas, à repetição de movimentos, ao esforço visual e à organização que dificulta pausas e recuperação. Eles podem aparecer como desconforto inicial e evoluir quando a empresa não investiga a causa.

Dores lombares e problemas posturais

A dor lombar costuma se relacionar à combinação de cadeira sem suporte, mesa incompatível, falta de alternância postural e longos períodos sentado. Em casa, o trabalhador pode usar sofá, cama ou banco sem ajuste, enquanto mantém a atenção em uma tela baixa. A postura resultante aumenta a exigência sobre coluna, quadris e musculatura estabilizadora.

O risco não depende apenas de uma postura perfeita ou imperfeita. A permanência prolongada, a repetição do mesmo padrão e a impossibilidade de variar a posição são fatores importantes. Por isso, a prevenção deve combinar ajuste do posto, pausas, alternância de tarefas e acompanhamento de sintomas. Dor que se repete, limita movimentos ou piora ao longo da jornada merece avaliação, não apenas uma recomendação genérica para sentar direito.

Para o RH e o SESMT, o padrão dos relatos é um indicador de gestão. Queixas concentradas em uma equipe, função ou unidade podem sinalizar metas, reuniões, mobiliário ou desenho de atividade que precisam ser revistos.

Problemas de visão e fadiga ocular

A fadiga ocular pode surgir quando há reflexo na tela, iluminação insuficiente, contraste desconfortável, fonte pequena ou foco contínuo por muitas horas. Ardência, lacrimejamento, visão embaçada e dor de cabeça são sinais que devem levar à verificação do ambiente e do modo de trabalho.

O monitor à frente, com a parte superior na altura dos olhos, ajuda a reduzir compensações do pescoço. A Fiocruz recomenda essa organização e orienta pausas a cada 50 minutos de trabalho. Além disso, alternar o olhar entre a tela e pontos mais distantes e reduzir reflexos favorece o conforto visual.

A empresa não deve tratar o problema como falha individual de quem trabalha em casa. Se a plataforma de reuniões, o tamanho dos documentos ou o fluxo de mensagens exige atenção contínua, a organização também participa do risco. A análise deve incluir tecnologia, tarefa e ritmo, além da iluminação.

Lesões por esforço repetitivo, LER e DORT

LER e DORT não são causadas apenas por digitar. Movimentos repetitivos, força, postura desfavorável, compressão, baixa variabilidade e fatores organizacionais podem atuar juntos. No home office, teclado e mouse mal posicionados, uso prolongado do touchpad e falta de pausas podem aumentar a exposição em mãos, punhos, antebraços, ombros e pescoço.

Formigamento, dormência, perda de força, dor que persiste e dificuldade para realizar atividades são sinais que não devem ser normalizados. A orientação precisa direcionar o trabalhador para o canal de saúde ocupacional e preservar a confidencialidade necessária. Investigar cedo permite corrigir a tarefa antes que o quadro comprometa a capacidade laboral.

Uma gestão madura acompanha queixas e afastamentos sem procurar culpados. A análise de LER e DORT deve considerar a atividade real, as metas, a duração da exposição, os equipamentos e a recuperação. Quando o risco é recorrente, uma ação pontual de conscientização é insuficiente; é necessário plano com avaliação, intervenção e verificação de resultado.

Diagrama comparando dois layouts de trabalho: um totalmente remoto (home office) e outro misto (híbrido).

Qual a diferença entre trabalho híbrido e home office?

Home office é o trabalho realizado remotamente a partir de casa, enquanto o trabalho híbrido combina períodos remotos com períodos presenciais. A principal diferença ergonômica é que o modelo híbrido exige coerência entre postos, rotinas e responsabilidades em mais de um ambiente.

Conforto

No home office, a empresa precisa entender as condições disponíveis na residência ou no local autorizado e orientar adaptações viáveis. No híbrido, o conforto depende da transição entre o posto corporativo e o remoto. Uma cadeira ajustada na unidade não compensa uma mesa inadequada em casa, assim como uma boa estrutura doméstica não resolve um posto presencial mal configurado.

A política deve evitar a ideia de que conforto é benefício supérfluo. Desconforto persistente altera a concentração, aumenta a fadiga e pode reduzir a qualidade das entregas. O melhor critério é observar se a pessoa consegue executar a tarefa com apoio, variabilidade e controle suficientes para preservar saúde e desempenho.

Segurança

A segurança no home office depende de orientação, equipamentos, comunicação de incidentes e gerenciamento de riscos. No híbrido, a empresa ainda precisa mapear o que muda quando a pessoa alterna locais. Cabos, iluminação, espaço de circulação, mobiliário e equipamentos podem ser diferentes, assim como as exigências de deslocamento e interação com outras áreas.

A responsabilidade não desaparece quando o trabalhador está fora da unidade. Ao mesmo tempo, a prevenção não deve presumir que a empresa controla cada detalhe da residência. O caminho técnico é definir critérios, orientar, avaliar quando necessário, registrar recomendações e agir diante de sinais de risco. Essa abordagem é mais consistente do que simplesmente exigir uma declaração genérica de adequação.

Eficiência

O home office pode favorecer concentração em algumas tarefas, mas reuniões digitais, mensagens constantes e dificuldades de infraestrutura podem criar interrupções e ampliar o tempo diante da tela. No híbrido, deslocamentos e mudanças de contexto podem reduzir a continuidade, sobretudo quando a pessoa precisa transportar equipamentos ou reorganizar o posto a cada ida à unidade.

Eficiência sustentável não é acelerar o ritmo a qualquer custo. É desenhar processos em que a pessoa tenha recursos adequados, metas compreensíveis, pausas possíveis e suporte para resolver barreiras. Indicadores de produtividade devem ser lidos junto com absenteísmo, presenteísmo, queixas e afastamentos. Um ganho aparente que aumenta dor e indisponibilidade futura não representa bom resultado.

Saúde

Nos dois modelos, a saúde musculoesquelética depende de prevenção contínua. No home office, a distância física pode atrasar a percepção de sintomas pela liderança e pelo SESMT. No híbrido, a alternância pode mascarar a origem do desconforto, porque a pessoa melhora em um posto e piora em outro.

A empresa deve manter canais de escuta, avaliação ergonômica, treinamento e acompanhamento de indicadores independentemente do local de trabalho. A integração com fisioterapia do trabalho, medicina ocupacional e gestão de saúde ajuda a transformar queixas em ações preventivas e a organizar o retorno ao trabalho quando houver afastamento.

Para empresas com múltiplas unidades, a governança precisa combinar padrão corporativo e adaptação local. O padrão define critérios mínimos, responsabilidades e indicadores. A adaptação considera as tarefas, os espaços, o perfil das equipes e os riscos de cada operação. A SEFIT recomenda essa visão integrada: ergonomia não é uma ação isolada, mas parte da gestão da saúde musculoesquelética, da prevenção de afastamentos e da produtividade.

O próximo passo é comparar a política escrita com o trabalho real. Verifique se os contratos refletem a prática, se os treinamentos são compreendidos, se os postos remoto e presencial foram avaliados e se as recomendações geram indicadores acompanháveis. Quando há queixas recorrentes ou grande dispersão entre unidades, um diagnóstico ergonômico estruturado ajuda a priorizar investimento e demonstrar resultado para a diretoria.

  • Reduzir dores e queixas no home office → Faça uma avaliação das tarefas e do posto, oriente ajustes de cadeira, mesa e monitor e acompanhe a adesão e os sintomas.
  • Comprovar conformidade para a diretoria → Formalize responsabilidades, registre treinamentos, mantenha a avaliação ergonômica no gerenciamento de riscos e acompanhe indicadores de saúde.
  • Cuidar de equipes em múltiplas unidades → Defina critérios corporativos, aplique uma metodologia comum e adapte o plano de ação às tarefas e condições de cada unidade.
  • Prevenir LER e DORT → Investigue repetição, postura, força, ritmo e pausas, em vez de limitar a intervenção à troca de mobiliário.
  • Organizar o retorno após afastamento musculoesquelético → Integre saúde ocupacional, liderança e trabalhador para revisar tarefas, restrições e progressão de retorno com acompanhamento.
  • Empresa que está implantando o home office: Comece pela formalização contratual, pela instrução ergonômica e por uma triagem das condições reais de trabalho.
  • Empresa com modelo híbrido e queixas em aumento: Compare os postos remoto e presencial, identifique diferenças de exposição e priorize as equipes com maior concentração de sintomas.
  • Empresa com múltiplas unidades: Estruture governança central, indicadores comuns e avaliações adaptadas às tarefas de cada operação.
  • Empresa com afastamentos musculoesqueléticos recorrentes: Faça diagnóstico ergonômico mais aprofundado e conecte prevenção, fisioterapia do trabalho, retorno ao trabalho e gestão de indicadores.

Perguntas frequentes

A empresa é responsável pela ergonomia no home office?
Sim. A empresa deve instruir expressamente sobre precauções contra doenças e acidentes, definir em contrato as responsabilidades por equipamentos e infraestrutura e incluir o trabalho remoto no gerenciamento de riscos. O trabalhador também deve seguir as orientações, usar corretamente os recursos e comunicar desconfortos.
A CLT exige que a empresa forneça todos os móveis para o home office?
A CLT determina que equipamentos, infraestrutura necessária e despesas sejam definidos em contrato escrito. A necessidade de fornecer ou custear recursos deve ser analisada conforme a atividade, a avaliação ergonômica e a política contratual da empresa.
O contrato de teletrabalho deve falar sobre ergonomia?
É recomendável que o contrato ou aditivo deixe claras as condições do teletrabalho, as responsabilidades por equipamentos e infraestrutura, o custeio e os canais para solicitar orientação ou ajuste. A formalização deve corresponder à prática.
A NR-17 se aplica ao trabalho remoto?
A NR-17 orienta a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. No trabalho remoto, isso envolve analisar a tarefa, a organização, os equipamentos, as pausas e as condições necessárias para executar o trabalho com segurança e saúde.
Qual é a posição correta do monitor no home office?
O monitor deve ficar à frente do trabalhador, com a parte superior da tela na altura dos olhos. A distância recomendada pela RPC/Globo é de pelo menos 50 cm entre a tela e o rosto.
Com que frequência devem ocorrer as pausas?
As referências apresentadas recomendam pausas de 5 a 10 minutos a cada 60 a 90 minutos, de cinco a dez minutos por hora ou a cada 50 minutos, conforme a orientação adotada. A empresa deve considerar a tarefa, a exposição e a organização do trabalho.
O trabalho híbrido é mais ergonômico que o home office?
Não necessariamente. O híbrido pode oferecer estrutura presencial, mas também cria diferenças entre os postos. O resultado depende da qualidade dos dois ambientes, da continuidade das orientações e da capacidade de monitorar riscos e queixas.
Quais sinais exigem atenção para LER e DORT?
Dor persistente, formigamento, dormência, perda de força e dificuldade para realizar tarefas são sinais de alerta. O trabalhador deve comunicar a situação ao canal de saúde ocupacional para que a empresa investigue a atividade e providencie orientação adequada.

Glossário

Ergonomia
Disciplina que adapta as condições de trabalho às características psicofisiológicas das pessoas para favorecer conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente.
Home office
Modalidade de trabalho realizada remotamente a partir de casa ou de outro local autorizado, sem presença diária na unidade da empresa.
Trabalho híbrido
Modelo que combina períodos de trabalho remoto com períodos de trabalho presencial.
AEP
Avaliação Ergonômica Preliminar usada para identificar riscos e necessidades de adaptação nas situações de trabalho.
AET
Análise Ergonômica do Trabalho mais detalhada, voltada à compreensão das tarefas, posturas, demandas e organização do trabalho.
LER/DORT
Conjunto de agravos relacionados a fatores como repetição, força, postura, compressão e organização do trabalho, que podem afetar músculos, tendões, nervos e articulações.
Presenteísmo
Situação em que a pessoa está trabalhando, mas tem sua capacidade de concentração ou produção reduzida por dor, doença ou outro problema de saúde.

Escrito por

Daniel Marques

SEFIT

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